Mulheres-contadoras fazem da Mala do Livro um projeto transformador – SECRETARIA DE ESTADO DE CULTURA E ECONOMIA CRIATIVA

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foto: Arcevo pessoal Maria José
foto: Arcevo pessoal Maria José

Texto: Alexandre Freire / Edição: Sâmea Andrade (Ascom Secec)

25/10/2020

08:41:23

 

Quando se fala na Mala do Livro, dois nomes sempre surgem nas conversas. A da pioneira Neusa Dourado e a de Maria José Lira Vieira, 67, que participa do programa desde o seu início. Memória viva da empreitada que atravessa diferentes governos sem perder o rumo, a paraibana Maria José é dona de incontáveis narrativas que vivenciou. Ela cita, por exemplo, os casos de duas Anas que mudaram as próprias vidas e ajudaram muita gente a vislumbrar futuros com mais oportunidades.

 

Neste sábado (24.10), essa história é contada na live “Mala do Livro: 30 anos de Contos e Encantos”, às 10h, no canal do YouTube da BNB, com a professora Maria José Lira Vieira. Assista (aqui)

 

Leia mais

Ao completar 30 anos, Mala do Livro coleciona histórias de superação

 

Ana Abrantes tornou-se a primeira agente da Mala do Livro de Sobradinho em outubro de 1990. Maria José conta que Ana era muito entusiasmada e voltou a estudar em razão da proximidade dos livros. Além de receber as pessoas em casa – tendo para isso feito um puxadinho, uma espécie de varanda de leitura –, saía pelas ruas em original pregão, alardeando o programa: “Ô, fulana, passa lá em casa depois que tenho uma mala para lhe mostrar”. A vizinha respondia algo como “Ô, Ana, num tô pensando em viajar por agora não, fia”. Ana então a fisgava pela curiosidade: “Essa mala é diferente. Passa lá depois”.

 

ACESSO À LEITURA

Marluce Franklin contando história, estante da Mala ao fundo foto: Arcevo pessoal Maria José Agente Jerusa Eulália conta história na Feira do Livro de 2019 foto: Arcevo pessoal Maria José Maria do Amparo (esquerda) e Maria José em premiação que Mala do Livro recebeu

 

Maria José relata também o caso de Ana Alves, que entrou no programa, também como agente de leitura, em 1991, no Riacho Fundo. Mãe de cinco filhos, viu na Mala um meio de lhes proporcionar acesso aos livros que não podia comprar. O esforço deu frutos. Todos se formaram e estão trabalhando. Ela também voltou a estudar. Na sua profissão de costureira, recomenda às clientes que escolham um livro quando vão provar a roupa. “O conhecimento que a Mala do Livro me deu, a energia, eu vou levar para o resto da vida”, testemunha ela.

 

Outra Maria, do Amparo, 1ª agente de leitura de Santa Maria, compartilha com as Anas dificuldades de criação de filhos e de desenvolvimento pessoal em locais com pouca estrutura no distante ano de 1991. Maria do Amparo também voltou a estudar e se formou como assistente social. Criou a Associação Atlética de Santa Maria para tirar as crianças da rua. Lançou uma escolinha de futebol. Para entrar em campo, a condição é fazer o fichamento de um livro da estante da Mala.  O nome da escolinha? “Bola no pé, escola na cabeça” – um gol de placa.

 

PERIFERIA ENCANTADA

Marluce Franklin, agente do livro em Sobradinho desde o início do programa, acredita que a Mala do Livro faz muito mais que incentivar a leitura: “É um elo entre a periferia e a cultura. Fornecendo lanches e transporte, abriu oportunidades para as crianças, adolescentes e jovens irem ao cinema, ao teatro, às feiras de livro, aos espetáculos de dança. Nesses 30 anos, só podemos agradecer”.

 

Marluce também voltou a estudar, espécie de destino que a Mala do Livro guarda para quem se debruça sobre ela. Formou-se em administração de empresas. Criou a Associação dos Agentes de Leitura e Contadores de História do DF – Aaconte, para facilitar o recebimento de doações e fortalecer iniciativas que o programa irradia. “A Mala do Livro é o maior, mais abrangente e mais inclusivo dos programas da Secretaria de Cultura”, acredita.

 

AGENTE COMUNITÁRIO DE LEITURA

A diretora da BNB explica que, para se cadastrar como candidata a agente de leitura, é necessário entrar em contato com a Gerência da Mala do Livro (veja abaixo), que estudará a viabilidade da implantação da minibiblioteca solicitada. Será analisado o tempo hábil de que a candidata ou candidato dispõe e a adequação do local para o desenvolvimento das atividades propostas pelo programa.

 

O agente desenvolve ações de incentivo à leitura com sua comunidade ou instituição, realizando empréstimos de livros, dentre outras atividades de interesse comunitário: contação de histórias, apoio nas tarefas escolares, promoção de ações socioculturais com a comunidade, apoio a estudantes para concursos públicos e vestibulares. No ato da implantação da Mala do Livro, o agente receberá orientações técnicas sobre o seu funcionamento e material para controle de movimentação do acervo.

 

Raio X da Mala (médias mensais)

Empréstimos: 2 mil

Visitas a cada agente de leitura: 45

Trocas de acervo: 15

Implantações de mini bibliotecas: 4

Participações em eventos culturais em 2020 antes da pandemia (janeiro a março): 15

 

Cadastro para ser agente de leitura

maladolivro@gmail.com

(061)3325-2607

 

Associação dos Agentes de Leitura e Contadores de História do DF – Aaconte

e-mail: aacontedf@gmail.com

 

“Revista Eletrônica da Associação de Bibliotecários e Profissionais da Ciência da Informação (ABDF)”

Artigo de Neusa Dourado que aborda a Mala do Livro

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Ascom/Secec)

E-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br