Cultura pós-pandemia vai combinar eventos com acesso presencial e virtual – SECRETARIA DE ESTADO DE CULTURA E ECONOMIA CRIATIVA

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Cultura pós pandemia vai combinar eventos com acesso presencial e virtual – SECRETARIA DE ESTADO DE CULTURA E ECONOMIA CRIATIVA
Cultura pós pandemia vai combinar eventos com acesso presencial e virtual – SECRETARIA DE ESTADO DE CULTURA E ECONOMIA CRIATIVA

Texto: Alexandre Freire/Edição: Guilherme Lobão (Ascom Secec)

30.04.2021

22:00:00

 

imagem02-05-2021-00-05-00A cultura num mundo livre da Covid-19 vai trabalhar de forma híbrida, com eventos presenciais dividindo espaço com manifestações artísticas on-line. Essa foi a visão consensual expressa pelos participantes da última mesa do I Festival Gira Cultura hoje (30.04), que abordou o tema “Cultura e os desafios pós-pandemia”. O Gira Cultura celebrou o Aniversário de Brasília com elecao e exibição de 61 vídeos de projetos artísticos do DF, fomentados pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF (Secec).

 

Compuseram a mesa, mediada pela jornalista da Assessoria de Comunicação da Secec, Sâmea Andrade; o cineasta Sílvio Tendler, curador do último Festival de Brasília do Cinema Brasileiro; o regente da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro (OSTNCS), Cláudio Cohen; o produtor cultural Guilherme Tavares, criador e diretor artístico do projeto Favela Sounds; e o subsecretário de Fomento e Incentivo Cultural da Secec, João Moro.

 

Tendler, um dos principais documentaristas do país, defendeu a necessidade de maior participação do governo federal no fomento as artes, reivindicando a recriação do Ministério da Cultura. Sua tese é de que só o fomento estatal pode garantir a liberdade de criação e ajudar nos desafios que a classe artística tem de enfrentar nesse cenário que deve conjugar a fruição presencial e a remota. “Se os ambientalistas lutam pelo Ibama e a universidade pela Capes, por que não podemos lutar pela volta do Ministério da Cultura?”, argumentou.

 

A mediadora lembrou que essa ação do estado pode ser exemplificada pelo recém-lançado FAC Brasília Multicultural, que vai investir R$ 53,64 milhões em mais de 800 projetos, divididos em cinco categorias, contemplando 22 linguagens artísticas, com reservas de vagas para quem até hoje não teve acesso ao fomento e também para pessoas com deficiências.

 

Moro destacou premissas como sustentabilidade, diversidade, acessibilidade, democratização e descentralização nos instrumentos de financiamento público. Esse espírito deve integrar boa parte também dos grandes eventos quando a segurança sanitária permitir.

 

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O produtor Guilherme Tavares lembrou da participação da economia criativa no Produto Interno Bruto (PIB) e reivindicou para esse segmento mais ações de capacitação, lobby e estratégias que ampliem o acesso tanto à produção artística digital como presencial. “Depois a gente decide se a gente quer ver a orquestra no YouTube ou no Cine Brasília”, brincou.

 

Ele também defendeu “clusters” artísticos como os que Brasília já possui. Citou como exemplos o Mercado Sul, em Taguatinga, o Setor Comercial Sul e o Conic, entre outros. Guilherme está à frente do projeto “#BSB 2060 – O Futuro é Agora”, que desafia os artistas do Distrito Federal a pensar a capital centenária a partir de temas como equidade, educação, acessibilidade e igualdade social.

 

O maestro Cohen testemunhou que o público da Sinfônica se ampliou no período de isolamento social e de interdição dos concertos presenciais. “Não apenas levamos a orquestra para quem não podia comparecer aos concertos no Cine Brasília, como avançamos em novos experimentos e linguagens”.

 

Ele explicou ainda que o recurso às câmeras de celulares que integrantes do corpo sinfônico têm utilizado para tocar coletivamente tem ajudado no aprimoramento técnico e musical. “Antes não nos víamos tocar e agora sim”, justifica.

 

Grandes eventos

 

Integrantes da mesa mostraram-se otimistas com o retorno de grandes eventos no próximo ano. É o caso de Brasília como a capital Ibero-americana da Cultura, cuja escolha levou em conta a capacidade da cidade de realizar programação com forte conteúdo e diversidade cultural e o compromisso com uma estratégia de longo prazo visando o desenvolvimento sustentável local. “Ainda bem que temos tempo”, disse Cohen. Segundo ele, a orquestra está preparada para trabalhar no evento tanto no formato presencial como virtual.

 

O regente da Sinfônica lembrou que algumas orquestras já estão começando a se apresentar presencialmente, sem máscara, como a Orquestra de Frankfurt. “As coisas vão voltar ao seu curso normal”, acredita.

 

Tendler desafiou Cohen e Tavares a pensarem em produções que misturem gêneros e linguagens, defendendo a ideia de que a pandemia abriu um caminho para experimentações de toda ordem. Ele lembrou que a Secec tem cacife para incentivar atividades dessa natureza. “Foi um feito inacreditável realizar o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro em plena pandemia. Perto de nossa entrega de prêmios, a cerimônia de premiação do Oscar ficou tosca”, comparou o cineasta.

 

O subsecretário João Moro acredita que a ideia é trabalhar dentro da realidade da época, combinando plataformas virtuais com algum nível de acontecimentos presenciais. “Se não pudermos reunir 100 mil pessoas presencialmente, vamos nos contentar com 10 mil”, exemplificou.

 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF

e-mail: comunicacao@cultura.df.gov.br