O século das cidades e das mulheres – Exibir Gospel

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O século das cidades e das mulheres – Exibir Gospel
O século das cidades e das mulheres – Exibir Gospel

Antes mesmo deste vírus atingir a humanidade e impactar na forma como nos relacionamos nas organizações já se estimava que este século seria o das cidades e das mulheres. Com a pandemia da Covid-19, o conceito de equidade ganhou dimensão e impôs a necessidade de se repensar o futuro sob vários aspectos. O grande desafio dos municípios está em estabelecer um sistema de mobilidade no qual as diferenças sociais não sejam tão acentuadas e o espaço urbano seja capaz de responder às demandas sociais impostas pela crise sanitária e que recaíram principalmente às mulheres.

Algumas experiências transformadoras em curso mostram que as lutas feministas precisam estar no centro das mudanças sociais e as soluções em mobilidade devem caminhar em sintonia com essa pauta. É o que fez Barcelona com o programa de governo municipalista da prefeita Ada Colau, que tem apostado na vida cotidiana da cidade e pensando o futuro de forma intersetorial, priorizando as mulheres.

Em Paris, Anne Hidalgo revolucionou bairros inteiros ao apostar em medidas de pró-mobilidade e sustentabilidade ao adotar o modelo de Cidades Inteligentes. A partir das intervenções realizadas no espaço urbano, mudanças estão sendo produzidas na esfera da vida dos cidadãos ao instante que ajudam a otimizar o tempo e, consequentemente, resultam numa melhora significativa na qualidade de vida de toda a população.

Esse conceito de cidade igualitária, que tem como um dos pilares a descentralização de serviços, dialoga diretamente com as mulheres, que estruturalmente estão na linha de frente da rotina reprodutiva de cuidado à família. As limitações para administrar a logística entre o trabalho e a escola dos filhos, a ida a uma consulta médica ou outro serviço qualquer muitas vezes as impedem de acessarem melhores oportunidades de carreira pela dificuldade de estarem tanto tempo distantes dos cuidados da casa.

Com isso vemos que feminismo e mobilidade urbana se entrelaçam pelo objetivo comum de buscar igualdade de oportunidades para todos viverem melhor, num ambiente mais humano. Mas as mudanças reais partem de uma perspectiva cultural. Não há investimento, tecnologia ou política pública que resistam sem que haja uma mudança de valores. Somente com a sensibilização é possível provocar esse impacto e para isso é preciso que haja uma valorização da arte e de “seus fazedores”, ainda mais nesses tempos em que a humanidade parece estar em extinção.

Portanto, é a cultura quem pode influenciar a agenda de mudanças para que o sistema de mobilidade dialogue com as demandas sociais impostas pela pandemia e impactar diretamente no cotidiano e no futuro das mulheres e das cidades.

Gisleine Zarbiettis é jornalista especialista em Educomunicação, autora do livro “Memórias de Suzano – história e fotos de todos os tempos, do vilarejo à cidade grande”; empreendedora e mãe.