Prevenir, monitorar e atender são as estratégias do DF contra as viroses infantis
Notícia 27/02/2026 às 17h57

Prevenir, monitorar e atender são as estratégias do DF contra as viroses infantis

Vírus sincicial respiratório (VSR), influenza e Sars-CoV-2, responsável pela covid-19: estes são alguns dos causadores do histórico aumento do número de casos de infecções respiratórias em crianças, todos os anos no Distrito Federal, entre março e julho. O período de sazonalidade é causado por fatores como condições climáticas no período de transição de verão para outono e inverno.

Para enfrentar esse desafio, a Secretaria de Saúde (SES-DF) vai colocar em ação um plano elaborado para prevenir casos, monitorar a circulação de cada vírus e oferecer tratamento rápido. CC

Crianças com quadros graves de doenças respiratórias contam com leitos de Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica | Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde-DF 

“Os últimos anos reforçaram a importância do planejamento antecipado e da atuação integrada da rede de saúde”, aponta a médica Juliana Macêdo, coordenadora de Atenção Especializada à Saúde da secretaria. “O objetivo é reduzir casos graves, evitar desassistência e garantir maior segurança às crianças e suas famílias.”

O plano contempla as fases de preparação, mobilização, alerta, emergência e crise, conforme o número de casos registrados e  de pacientes atendidos. “O foco está na antecipação das medidas, no reforço da capacidade de resposta e na integração do atendimento, além da intensificação das ações de prevenção e comunicação com a população”, explica a gestora. 

Prevenção

A vacinação é uma das principais medidas preventivas no combate às síndromes respiratórias agudas graves | Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde-DF 

Na primeira fase, destacam-se as medidas preventivas. Além de orientações gerais à população, como evitar a circulação em caso de doenças respiratórias, é indicada a vacinação contra os vírus influenza e covid-19, atividades que já fazem parte do dia a dia da SES-DF.

 “A imunização é a principal estratégia para reduzir casos graves, internações e óbitos, além de otimizar o uso das doses já disponíveis”

Tereza Pereira, gerente da Rede de Frio Central da Secretaria de Saúde

Ao longo de 2025, e nas primeiras semanas de 2026, já foram aplicadas mais de 880 mil doses da vacina contra a influenza. De acordo com os levantamentos populacionais, porém, apenas 53% das crianças de 6 meses e menores de 6 anos foram vacinadas, percentual abaixo da meta de 90%.  

A gerente da Rede de Frio Central da SES-DF, Tereza Luiza Pereira, ressalta que a vacina aplicada protege contra os vírus Influenza A (H1N1 e H3N2) e Influenza B (linhagem Áustria). “A imunização é a principal estratégia para reduzir casos graves, internações e óbitos, além de otimizar o uso das doses já disponíveis”, orienta. “Todos os anos, o imunizante é atualizado conforme as cepas do vírus com maior registro de circulação daquele período. Além disso, a imunidade obtida pela vacina dura de seis a 12 meses”.

Neste mês também foi iniciada a aplicação do nirsevimabe e do palivizumabe, medicamentos que protegem contra o vírus sincicial respiratório, indicados para bebês que nasceram prematuros. “O nirsevimabe e o palivizumabe representam avanços relevantes na prevenção das formas graves de infecção pelo VSR [Vírus Sincicial Respiratório], principal causa de bronquiolite e importante motivo de hospitalização em lactentes”, detalha Julliana Macêdo. 

Monitoramento

Para o monitoramento do número de casos, o DF conta, hoje, com dez unidades-sentinela. Nesses locais, distribuídos conforme as concentrações demográficas, há a coleta de amostras de pacientes com sintomas gripais a fim de detectar quais vírus estão em circulação. Os exames são enviados para análise no Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF). Isso ajuda tanto a definir condutas de atendimento quanto a detectar eventuais cepas novas.

“A unidade-sentinela é um termômetro: se um vírus for introduzido, conseguimos detectar precocemente”

Renata Brandão, gerente de Vigilância das Doenças Imunopreveníveis e de Transmissão Hídrica e Alimentar da Secretaria de Saúde

A Diretoria de Vigilância Epidemiológica da SES-DF mantém o monitoramento constante dos casos, incluindo o acompanhamento da situação em outras partes do Brasil e até em outros países. O registro de casos no próprio Distrito Federal também permite compreender o cenário local.

“A unidade-sentinela é um termômetro: se um vírus for introduzido, conseguimos detectar precocemente”, explica Renata Brandão, gerente de Vigilância das Doenças Imunopreveníveis e de Transmissão Hídrica e Alimentar da secretaria.

Entre 2023 e 2025, o número de casos confirmados de síndrome respiratória aguda grave provocada pelo vírus Sars-CoV-2, da covid-19, caiu de 965 para 472. Já os casos provocados pelo vírus Influenza subiram de 373 para 1.421. O trabalho no laboratório também tem sido mais preciso: em 2023, 61% dos casos foram classificados como de vírus “não especificado” — índice que, em 2025, ficou em 27%.

Atendimento

Conforme o plano de enfrentamento ao período de sazonalidade das infecções respiratórias virais na pediatria, a rede pública do Distrito Federal conta atualmente com 182 unidades básicas de saúde (UBSs). De 2019 até agora, 13 unidades foram entregues novas ou reformadas. Outras duas estão próximas da conclusão. As UBSs são a principal porta de acesso aos serviços de saúde e atendem pacientes com sintomas leves, sem necessidade de ir até hospitais e unidades de pronto atendimento (UPAs). 

Além disso, as UPAs de Ceilândia I, São Sebastião, Recanto das Emas e Sobradinho ofertam atendimento especializado em pediatria. Há pronto-socorro infantil, ainda, no Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib) e em oito hospitais regionais, localizados em Brazlândia, Ceilândia, Guará, Paranoá, Planaltina, Sobradinho, Taguatinga e Santa Maria. 

Para casos mais complexos, há 128 leitos de Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (Utip), sendo 16 no Hmib, cinco no Hospital Regional de Taguatinga (HRT), 20 no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), 58 no Hospital da Criança de Brasília José de Alencar (HCB) e dez no Hospital Universitário de Brasília (HUB-Unb) — este último de administração federal —, além de 19 já disponíveis nos hospitais Santa Marta e Anchieta Ceilândia, a partir do credenciamento para prestação de serviços. Há ainda 39 leitos de isolamento respiratório. 

Juliana Macêdo lembra que, além da ampliação do número de leitos, há capacitação constante de servidores, reforço de equipes e novos métodos de trabalho: “Seguem em curso estratégias de reorganização de fluxos, qualificação da rede e otimização da capacidade instalada”.

 

*Com informações da Secretaria de Saúde