Professor da rede pública do DF visita maior acelerador de partículas do mundo na Suíça
Levar o nome da educação pública do Distrito Federal a um dos maiores centros de pesquisa científica do mundo é motivo de orgulho para o professor Felipe Lemos Cabral, do Centro Educacional (CED) do Lago Sul. Escolhido entre mais de 100 candidatos de todo o país, o docente de física participa, na Suíça, de um programa internacional no Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire (CERN), instituição que abriga o maior acelerador de partículas do planeta, o Grande Colisor de Hádrons (LHC).
A programação começou dia 17 de abril e segue até 27, com sete dias de atividades presenciais. Nesse período, os participantes visitam instalações científicas, acompanham palestras, oficinas práticas e atividades culturais. O professor conheceu de perto o LHC e dois dos principais experimentos em funcionamento no local: o LHCb e o CMS, equipamentos que contribuíram para a descoberta do bóson de Higgs, em 2012, um dos marcos da física moderna.
Felipe Lemos Cabral: "entendi a responsabilidade de representar o Brasil e o Distrito Federal, além de trazer esse conhecimento para a nossa realidade" | Foto: Arquivo Pessoal
“Foi um momento de muita alegria e expectativa. Também entendi a responsabilidade de representar o Brasil e o Distrito Federal, além de trazer esse conhecimento para a nossa realidade. Acredito que a minha trajetória profissional contribuiu para a seleção, com destaque para a experiência em eventos científicos, atuação em sala de aula nas escolas públicas do DF, gestão escolar e participação no Programa de Escola Intercultural Bilíngue do DF (Pebi)”, afirma Felipe.
Para explicar de forma simples o que acontece em um acelerador de partículas, o professor resume que o objetivo é estudar a matéria que forma o universo. “O acelerador de partículas busca entender do que tudo é feito e como funciona. Ele estuda estruturas menores que um átomo, usando altas energias e colisões entre partículas”, explicou.
Detector de partículas do CERN, na fronteira entre Suíça e França, integra o Grande Colisor de Hádrons, maior acelerador de partículas do mundo e referência em pesquisas científicas | Foto: Divulgação/CERN
Educação inovadora
A estudante Sara Cerri, de 18 anos, do 3º ano do ensino médio do CED Lago Sul, falou sobre a importância do incentivo oferecido pelo professor Felipe e destacou a paixão dela pela física, área que pretende seguir no futuro.
“Sou apaixonada pela disciplina e pretendo estudar essa área no futuro. Gosto de entender o que está acontecendo ao meu redor, como as coisas funcionam e os movimentos do mundo. Também quero agradecer ao professor Felipe, que sempre me incentiva, me ajuda muito e está ao meu lado sempre que preciso.”
A aluna Giovanna Rosa, de 17 anos, acredita que a experiência internacional vivida pelo professor Felipe Lemos levará benefícios para toda a escola. Para ela, o contato com novas culturas, ideias e formas de ensino amplia a visão de mundo e fortalece a educação pública. “Essa experiência do professor Felipe vai agregar muito para a escola e para os estudantes, porque ele vai voltar com novos conhecimentos e novas formas de ensinar. Quando a gente tem contato com outras culturas e outras realidades, aprende coisas que talvez nunca conheceria aqui. Eu vivi isso no Reino Unido e sei o quanto essa troca amplia a nossa visão de mundo e inspira novas conquistas pessoais, acadêmicas e profissionais”, afirma ela, que participou da primeira edição do projeto Pontes pelo Mundo.
Estudantes do CED do Lago Sul, ao lado do diretor Vitor Rios, celebram a participação de Felipe Lemos Cabral em programa internacional de Física na Suíça | Foto: André Amendoeira, Ascom/SEEDF.
Para o diretor do CED do Lago Sul, Vitor Rios, a participação de Felipe Lemos Cabral no programa internacional reforça o compromisso da escola com uma educação inovadora e conectada com o mundo. Segundo ele, o professor atua na unidade desde 2024, tendo uma boa relação com os estudantes e abertura para novas práticas pedagógicas.
“Felipe chegou à escola em 2024 e rapidamente se destacou pelo trabalho com os alunos e pela disposição em buscar novas possibilidades de ensino. Temos certeza de que essa vivência internacional, com contato com professores de vários países e com a Física de ponta, vai enriquecer ainda mais as suas aulas. Aqui, valorizamos metodologias ativas, projetos e o protagonismo estudantil, em que o aluno também pesquisa e constrói conhecimento com a orientação do professor.”
Ao retornar ao Brasil, o professor pretende compartilhar o conhecimento com estudantes e colegas da rede pública. “Essa experiência é transformadora. Estou mais preparado para aproximar a pesquisa científica dos meus alunos e mostrar novas possibilidades de carreira e estudo”, disse.
*Com informações da Secretaria de Educação (SEEDF)